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A CAPITAL DO NATAL TEM FUTURO?

Portugal sempre gostou de estar no pódio dos países com as maiores estruturas de Natal da Europa: a maior árvore de Natal, o maior Pai Natal… e este ano, a maior pista de gelo, situada em plena Capital do Natal, no passeio marítimo de Algés, em Oeiras.


Antes mais, e até porque muito já se escreveu sobre o evento em causa, há que louvar a iniciativa de tentar recriar em Oeiras a longínqua paisagem da Lapónia, e, ainda mais ambicioso, criar uma cidade de natal de grandes dimensões repleta de atracões e espírito natalício.


A ter sucesso a Capital do Natal teria um efeito significativo na divulgação da imagem e prestígio de Oeiras por esse mundo fora, muito à semelhança do NOS ALIVE, principalmente numa altura que o executivo municipal tem apostado as fichas todas num (nada consensual) processo de rebranding do município (#OeirasValey).


Mas, mais importante do que esses frutos políticos, este seria um evento a visitar por todos aqueles que quisessem vivenciar a magia e o imaginário do Natal em primeira mão, e a proporcionar aos seus filhos uma memória que perdure toda a vida.


Imagem da página oficial do evento.


Contudo, tendo em conta toda a publicidade e expectativas criadas, a verdade é que a Capital do Natal tem sido alvo das mais variadas críticas, principalmente nas redes sociais, reinando entre os que lá foram um sentimento de grande desilusão.


Imagem real do recinto.


Para percebermos se as críticas são justificadas, e podermos opinar, fomos visitar o evento. Eis o que concluímos:


a) Preço Premium: 30€ para adultos e 25€ para crianças é um valor muito elevado, especialmente se compararmos a concorrência mais próxima (Lisboa – Wonderland, em que a entrada é livre), Cascais - Christmas Village (7,5€ para adultos e 6,5€ para crianças) e Óbidos - Aldeia de natal (7€ para adultos e 5€ para crianças).


b) Estacionamento: apesar dos acessos via transportes públicos estarem devidamente assegurados, há muitas famílias que (por irem com os filhos bebés ou familiares idosos) optaram por se deslocarem à Capital do Natal de automóvel. E no que diz respeito ao estacionamento, pensamos que não houve um planeamento adequado e, ou, uma coordenação eficaz com o Porto de Lisboa. Não conseguimos perceber a razão do parque de estacionamento contíguo ao evento não estar a ser utilizado para receber os visitantes do evento. Seria uma mais valia óbvia que a todos aproveitaria, principalmente nesta altura (chuvosa) do ano.


c) Atrações (poucas): talvez porque as expectativas criadas inicialmente eram demasiado elevadas, ou pelo facto de ter havido uma publicidade menos modesta ao evento, a verdade é que o número, mas sobretudo a qualidade das atrações só no nome é que não deixou muito a desejar. Vejamos as mais importantes:


  • Montanha do Vento Corajoso: um conjunto de 6 escorregas (de plástico) que é divertido durante 10 segundos… mas pouco mais do que isso.

  • Expresso dos Cinco Sentidos: um comboio que dá a volta ao recinto em marcha lenta, com 4 composições com capacidade para cerca de 20 crianças. Faltou a sinalização que permitisse aos pais perceber o percurso, e o facto de passar pelo meio das pessoas que andavam pelo parque tornava a experiência semelhante à A5 em hora de ponta. Resultado? 10 a 15 minutos para fazer um percurso de no máximo 500 metros, deixa a impressão que com outra configuração esta animação podia ser uma experiência bem mais interessante.

  • Bosque dos Elfos: duas tendas com um ecrã gigante no interior, muito à semelhança do que acontece em algumas exposições de arte… em que ninguém percebe o conceito, mas não deixa de ser arte…

  • Árvore do Tempo Infinito: uma imitação de uma árvore antiga onde dá para entrar e subir umas escadas, suscitando alguma curiosidade em descobrir o que se esconde por trás do último degrau. Mas a mesma muito rapidamente é substituída por um sentimento de frustração, pois a única coisa que existe é uma mini janela com vista para o recinto. Falta um fator “WOW”, mas apenas isso.

  • Espelho Mágico dos Sonhos: um lago com espetáculo de jactos e luzes. Faltou uma sinalética a indicar quando seria o espectáculo e alguma informação de contexto para o mesmo. Resultado? Sempre que “mudava a música” que passava no recinto (ou melhor, reiniciava, pois era sempre a mesma), as pessoas acorriam ao lago a pensar que ia começar o espectáculo, e ao fim de uns minutos a olhar para o lago, percebiam que tinham perdido o lugar nas filas intermináveis para nada. Espelho meu espelho meu…

  • Fábrica dos biscoitos: uma tenda em que se pode decorar bonecos de gengibre com as mais variadas cores de corante alimentar. O biscoito é oferta no final. E não é mau! Boa atividade!

  • Dança no Céu de Gelo: Pista de gelo. Bem apetrechada para miúdos e graúdos brincarem em segurança. Competiu com o palácio pela medalha da maior fila de espera da Capital do Natal. Boa atividade.

  • Roda Gigante: um saborzinho à extinta feira popular, mas com autocolantes que dificultam a visibilidade dos que dela tentam usufruir. Trocávamos por duas ou 3 mini rodas como a que existe na Cascais Christmas Village.

  • Palácio dos Guardiões da Neve: a atração que nos merece a nota mais elevada. Consiste numa tenda que recria a o círculo polar ártico, e tem no seu interior várias esculturas de gelo muito interessantes, e onde é possível (numa zona muito delimitada) brincar com neve.

  • Elfos: neste ponto temos que tirar o chapéu aos muitos animadores que povoam a Capital de Natal. Incansáveis, criativos e sempre empenhados em trazer animação e a alegria a todos os que lá passam.

d) Gestão deficitária do tráfego de acesso às atrações. Ou seja, filas intermináveis para tudo, o que significa que o número de atrações de interesse foi muito insuficiente em relação ao número de visitantes.


e) Pai Natal desaparecido em combate: não se percebe um evento desta dimensão, e com a temática do natal não contar com a presença de um presépio ou do São Nicolau em pessoa. Apareceu num vídeo promocional publicado no Facebook da CMO, mas no recinto primou pela ausência.


f) Uma única música repetida à exaustão.


g) Iluminação: para quem vai durante o dia, nem um vislumbre de luzes de Natal. Para quem foi ao anoitecer (a partir das 17:30), não impressionou.


h) Renas… até eram uma das boas surpresas do evento, e sim, tinham todas as condições de conforto, nomeadamente um contentor acolchoado a palha e com aquecimento, e uma cerca exterior para poderem esticar as pernas (problema, o recinto onde andavam não passava de um pano verde sobre um chão de pedra; consta que é desconfortável para estes animais, mas não pudemos confirmar à data deste post). Mas infelizmente uma onda de indignação (sem fundamento como já começa a ser hábito) e a ausência de licença ditaram o seu regresso antecipado a casa. Neste ponto tem sido feitas críticas à CMO pelo incumprimento de uma legislação, mas estudando o assunto importa esclarecer que o cumprimento do decreto-lei de Julho deste ano, cujo articulado é draconiano (45 dias para a autoridade conceder uma licença? A sério?) é da responsabilidade do promotor e não da Câmara Municipal.


i) Casas de banho: num evento dedicado à família e repleto de crianças e idosos, não conseguimos encontrar casas de banho com as necessárias adaptações.


j) Recinto encharcado sempre que chove.


k) Ausência de locais próprios para as pessoas se abrigarem rapidamente da chuva.


l) Ausência de barraquinhas com produtos tradicionais de Natal (portugueses e não só). Estas barraquinhas são a base dos mercados por essa Europa fora.


m) Tenda de restauração com os mesmos de sempre: o pão com chouriço, a bifana, o prego, a pizza, o cachorro quente, a sandes de leitão, etc., e a preços superinflacionados.



Conclusão:


A Capital do Natal - tendo em conta o esforço do município na sua divulgação e oferta de bilhetes junto das escolas - pecou por vários aspetos que podem pôr em causa a sua eventual promoção no futuro e a sua constituição como um evento símbolo do concelho.


Se pensarmos no público deste evento (principalmente olhando para os Oeirenses e para as famílias em geral), percebemos que os preços estão muito acima do normal para um evento temático desta dimensão e qualidade.


De igual modo, pensamos que deveria haver uma zona de comércio tradicional mais diversificado (com produtos e iguarias regionais e tradicionais de Natal), como por exemplo, barraquinhas de vinho, ou chocolate quente, algo tipicamente natalício que, ao mesmo tempo que nos aquece o corpo (e alma), também perfuma o ar com o doce aroma a especiarias.


Por tudo isto, numa escala de 0 a 5 estrelas, atribuímos à Capital do Natal uma modesta pontuação de 2,2 estrelas.


Esta é, portanto, uma avaliação muito baixa, tendo em conta o montante de capital, tempo e trabalho investidos neste evento. Investimento esse privado (cerca 6 Milhões de Euros em quatro anos), mas também público, através do apoio concedido pela Câmara Municipal de Oeiras (e que ascende a mais de 340 mil euros só para este ano). Adicionalmente ao apoio direto, o evento beneficiou de outro tipo de apoios e isenções, que não temos forma de contabilizar, mas que representam custos para o município.


A este propósito importa salientar que nos dias de hoje exige-se à Câmara Municipal um maior critério na escolha de parceiros que possam representar uma mais valia ao concelho e aos cidadãos. Será que foi prudente entregar este evento a uma sociedade constituída em novembro de 2018, mas que depois surge a assumir o evento outra empresa, unipessoal, criada a 16 de julho de 2019? Quantos problemas poderiam teriam sido evitados? Não valia a pena a CMO fazer uma revisão dos critérios de seleção de parceiros e fornecedores? Pode a imagem do Concelho de Oeiras correr estes riscos?


No próximo ano será necessário melhorar e aproveitar esta boa oportunidade, como é a da criação da Capital do Natal de Portugal, localizada no nosso concelho. Será por isso necessário que este evento ajude a divulgar e promover Oeiras como um município onde impera uma visão moderna, criativa, tecnológica e atrativa, mas onde, ao mesmo tempo, ainda se consegue sentir em cada esquina o calor e a esperança do espirito natalício.


Como em tudo na vida, só não erra quem não faz, só não se engana quem não decide.


Vale a pena melhorar o projeto da Capital do Natal?


Será a CMO capaz de tirar lições aprendidas do que correu mal?


Vale a pena dar o benefício da dúvida, criando uma expectativa positiva para o futuro?


Partilhe connosco a sua opinião sobre este evento, pontos a melhorar e ideias diferenciadoras que possam fazer deste evento uma referência no futuro!


Participe na plataforma www.viveroeiras.pt

Deixe o seu testemunho. Faça parte deste movimento.

Imagem: Internet


P.S.: Artigo elaborado por 7 elementos do Viver Oeiras.

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