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Novos empreendimentos imobiliários disparam em Oeiras

Atualizado: 20 de Nov de 2019

Nos últimos tempos temos assistido a uma subida acentuada do preço das habitações em Lisboa, onde o preço médio por m² já se situa acima dos 3.000 eur. Como consequência, a pressão imobiliária nos concelhos limítrofes à capital já se faz sentir e Oeiras não é excepção.


Ao contrário da oferta (que se manteve estagnada durante um longo período de tempo), a procura por habitação (e escritórios) aumentou substancialmente nos últimos 5 anos, levando à inevitável subida dos preços - que já se situam acima dos 1.500 EUR por m² nas zonas tradicionalmente menos "nobres" do concelho.


Para além do risco de gentrificação, e dos riscos de descaracterização do território e da representatividade demográfica da população que esta pressão favorece - consequência natural das leis da procura e da oferta - existe também o sério risco de o poder político vir a licenciar em demasia e de forma precipitada.


Deste modo, e fruto desta rápida alteração do território, existe o risco de o executivo camarário não reflectir (com a demora e ponderação necessárias) sobre as consequências que daí advêm, e de não exigir as devidas contrapartidas aos promotores imobiliários.


Todos estes riscos nos preocupam!


Em relação ao risco de descaracterização demográfica é para nós claro que este é já um processo em curso em algumas localidades do concelho, cada vez mais envelhecidas, e simultaneamente menos acessíveis à população jovem em início de vida profissional. Localidades como Cruz-Quebrada ou Dafundo são um exemplo paradigmático, com um dos maiores indíces de envelhecimento da população no país!


Em relação ao risco de gentrificação, basta olharmos para os preços que estão a ser praticados pelos novos empreendimentos em fase final de construção: um T2 custa cerca de 400.000 eur. e um T4 custa mais de 700.000 eur.


O público alvo dos projetos que se encontram em fase de desenvolvimento são para uma classe média alta e classe alta.


No que concerne ao risco de saturarmos as infraestruturas existentes, vejamos um caso prático:

Em Miraflores (onde, segundo o CENSOS de 2011, moram cerca de 10.000 habitantes), estão previstos 4 novos empreendimentos, e mais de 1.300 habitações. Como em Oeiras vivem uma média de 2,4 pessoas por habitação, isso significa 3120 novos moradores. Ou seja, um impressionante acréscimo de 31% da população residente.

Trata-se de um valor extraordinariamente elevado face à rede de infraestruturas atualmente existentes, quer no que diz respeito à rede viária (já por si com os problemas de escoamento de tráfego que todos conhecemos), quer no que concerne à capacidade de absorção de crianças por parte do agrupamento de escolas de Miraflores, à capacidade de absorção de novos utentes por parte dos centros de saúde, dos espaços públicos, da rede de transportes públicos, dos equipamentos de apoio à comunidade, etc.

E Miraflores é apenas um exemplo, cujas preocupações são perfeitamente extensíveis a Algés, Linda-a-Velha e Carnaxide, pois todas elas vão sentir os impactos da saturação de infraestruturas provocadas pelos seguintes empreendimentos:


1. "Jardim Miraflores", Linda-a-Velha Investidor belga: Krest Real Estate Investments

Vão nascer 3 torres, uma delas com 15 pisos acima do solo com um total de 119 apartamentos.

2. "Célere Miraflores", Algés Investidor espanhol: Vía Célere

Já está a construir um bloco com mais 100 apartamentos, junto ao Parque de Santo António.

3. "Parque dos Cisnes", Miraflores Investidor espanhol: Gestilar

Está em fase de promoção o seu primeiro bloco com 111 apartamentos num edifício com 14 pisos e seguem-se mais 21 lotes de construção com uso misto, num total de 952 novos fogos.

4. Local da antiga "Pedreira dos Húngaros" (projeto ainda sem nome), Algés Investidor chinês: Índice Plural

Comprou recentemente os terrenos da antiga Pedreira dos Húngaros à Câmara Municipal de Oeiras e vai construir 152 novas habitações, incluindo áreas de comércio e serviços.


5. “Cinco District”, Carnaxide

Investidor (vários parceiros): The Edge Group e Ceetrus

Será um empreendimento com capacidade para mais de 3.000 postos de trabalho, constituído por 3 edifícios de serviços e um hotel, com uma torre de 20 pisos acima do solo.


6. "Aquaterra", Quinta das Francesas em Carnaxide

Investidor britânico: Jackyl

Mega Resort Comercial vocacionado para as áreas desportivas, com ginásio, academias de futebol, ténis e padel, lagos, restaurantes, parque público e espaço para concertos.


Face a estes novos empreendimentos imobiliários de grandes dimensões, torna-se urgente perceber quais são os planos da Câmara Municipal de Oeiras para a dita habitação acessível aos jovens que se querem fixar no concelho.


Um aumento tão significativo de novos residentes e visitantes vai trazer variados problemas, nomeadamente ao nível das ligações rodoviárias, do aumento de tráfego e do congestionamento, da maior procura de lugares de estacionamento (para moradores e para os trabalhadores dos parques empresariais da região), na maior procura de transportes públicos, de mais creches e escolas com maior capacidade e infraestruturas.

Precisamos que sejam garantidos os níveis de conforto e de qualidade de vida das populações de uma das zonas mais urbanas do concelho de Oeiras.


Os seus munícipes já se ressentem na falta de oferta de espaços verdes, de equipamentos de lazer e cultura, de comércio de proximidade, de boas acessibilidades ou, tão somente, de um serviço de transportes públicos eficaz.

Com novos empreendimentos imobiliários de tão grande dimensão, quais são as medidas concretas que o executivo está a planear para o crescimento sustentado deste território?

E que políticas de equilíbrio demográfico estão a ser desenhadas e implementadas?



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Imagem: Google Earth


Autores:

Pedro Fonseca/Fernando Santos


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